De Frente Tudo a granel O que já lá vai Info
A Outra Metade
Não há dia que passe que não te veja toda nua
Não há dia que passe
que não te veja toda nua
peça a peça tiro-te a roupa
e sussurro-te em voz rouca
não quero outra, só a tua

A doce luxúria de beijar
lábios quentes e molhados
Que guardam o mel escondido
para o prazer atingido
nos delírios partilhados

Não é a luz que me mostra
as curvas e linhas que deténs
É a explosão dos sentidos
e o brilho que ofusca
no momento em que te vens

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I'm Your Man
If you want a lover
I'll do anything you ask me to
And if you want another kind of love
I'll wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
I'm your man
If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
I'll examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
I'm your man


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Multi
Quero o corpo que nunca vi
Quero a curva que imaginei
Amasso-te e sugo-te a pele
Acompanhas-me nas insónias provocadas
Bebo-te em sobressaltos enrolado nos teus cabelos
Livros indianos desconhecem o que fazemos
Flutuamos encaixados em queda livre
Não desidrato porque te bebo o suor
Devoro-te desalmado até ao desespero
Faltam-me sexos para te penetrar toda ao mesmo tempo



talvez demasiado lugar-comum mas foi o que saíu.
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Como?



Como?... assim
loucamente
um desejo contido prestes a explodir
consome-me por dentro e tenta vir para fora.

quero pegar-te ao colo e abraçar-te. rodar contigo até caírmos de tontos e rebolarmos enroscados
Ver os teus olhos a olhar para cima e a rirem-se para mim.
a boca a rasgar-se num sorriso ardente e os lábios a tocarem-se
Secos, procuram a língua.
Titilam e tilintam desvairadas de desejo enquanto as mãos te reconhecem o corpo.
Afago-te a cara
o pescoço
os ombros
as costas
a cintura
o peito

a boca desliza para o queixo
os botões soltam-se deixando antever a junção dos seios rijos.
Sobre a camisa descobrem-se os picos entumecidos que clamam pelo calor da boca.
A língua circula-os brincando com eles que parecem que vão explodir em erupções de prazer.
Mordo
Sugo
Acaricio
Encho as mãos contigo

Sob o teu peito rendo-me até ser atraído pela barriga
A minha boca não consegue saír da tua pele. Arrepias-te ao sentires-me na cintura.
Ris-te e brincamos. Tens a curva da anca sensível e ainda não perdeste as cócegas.
A barba mal feita não ajuda.

Espirais húmidas criam-se à volta do umbigo em movimentos concêntricos. Com os dentes prendo-te uns pêlos que aparecem tímidos.
Mordo-te a cintura e contorces-te a rir. Viras-te para baixo para te esconderes

Estás nua da cintura para cima e virada para o chão. Sorris-me atrevida pelo meio dos cabelos já despenteados.
Mal te vejo a cara. Só a pele nua de costas para mim. Deito-me sobre ti e sentes dois bicos a espetarem-se-te nas costas. Também eu estou assim.
Tens as nádegas no meu ventre e as pernas não param quietas.
Num movimento rápido rodas e já sou eu que estou no chão.
Abres as pernas e sentas-te sobre mim. Tenho as mãos presas sobre os teus joelhos e fixo os teus seios a balançarem à minha frente...

[wet wet wet ]


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em contraluz
A tua silhueta em contraluz à entrada do quarto ainda hoje me acompanha.
Parada à porta com a cabeça ligeiramente inclinada, o cabelo curto a descobrir o pescoço fino que termina nos ombros direitos, apenas cobertos pelas alças do baby-doll.
Brincas com elas a oscilar a roupa mostrando ou não a barriga côncava e o umbigo.
As pernas esguias roçam uma na outra antes de vires para junto de mim.
Trazes um ar traquina e provocador.
Ainda habituada ao cabelo comprido levas as mãos à cabeça como se o fosses apanhar, mas ele já não está lá. Ris-te e avanças.
O cetim rosa pende dos seios redondos e balança ao teu ritmo.
Deitado na cama sinto o teu perfume inebriar-me passo a passo.
Afastas as pernas e sentas-te em mim.
O decote abre-se quando te curvas para a frente e encostamos os corpos tensos.
Mordes-me a orelha e sussurras "Quero-te para mim!"


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Salvem os Crocodilos
Este foi escrito para outro local, mas já que estamos a começar, venha alguma coisa que já foi feita no passado.


Tentava sempre não exagerar, mas desta vez não consegui. Estavas ali, deitado. Sangravas numa poça de sangue no chão com o braço pendurado, preso à corrente que pendia da parede. No teu último espasmo ejaculaste e vejo agora o sémen a misturar-se com o sangue. Tiro a roupa de cabedal e visto o fato de treino por cima do fio dental. Pouso o taco para procurar uns ténis. A dentada que me deste no calcanhar não me deixa usar outros sapatos. Hoje estavas mesmo porco. Mas nunca ninguém me pagou como tu pagavas. Gosto da casa, do carro, das jóias e de te ver humilhado. Agora pagaste pela última vez.
Quem é que te mandou trazeres um taco de baseball? Empurraste-me para a sala do costume, onde temos os nossos “acessórios”, mas hoje estavas particularmente violento. Quando levei com a tua mão no pescoço foi quando percebi que estavas alterado. Agredias-me sempre para eu ficar mais violenta. Gostavas disso. Quanto mais melhor. Mas hoje estavas diferente.
Quando me explicaste o motivo pela primeira vez não percebi. Achava que podia ser bruta o suficiente para ti. Mas tu querias ver raiva nos meus olhos. Um desprezo frio por ti. Só aí é que te vinhas. Parecias um urso ferido. E depois aninhavas-te e chupavas-me longamente.
Só tinha que te dar umas chapadas na cabeça de vez em quando. Nunca foste grande coisa. Nem para chupar prestavas. Mas na tua cabeça lá pensavas que eu também tinha que me vir, como se fosse tua mulher, amante, namorada. E lá tinha que te fazer a vontade quando o desejo por um cigarro era maior que a tua língua monocórdica.
Vestias-te em silêncio, deixavas mais umas notas em cima da mesa e saías manso com o rabo entre as pernas. Nunca soubeste, mas já te tinha visto sentado ao fundo da escada depois de saíres daqui de casa. Só depois, antes de saíres para a rua, é que te emproavas, passavas a mão no cabelo e cofiavas o bigode. Voltavas a ser o maior. O maior imbecil, impotente e esbanjador, único predicado que justificava a tua presença na sociedade. Compravas tudo. Mas desta não te safaste. Hoje foi a tua última prestação de mim.
Acho que me contaste uma vez uma história da tua mãe que também apanhava e gozava com isso. Nunca percebi nem quis perceber essas teorias freudianas com que te saías às vezes. Mas quanto mais sofrias, mais gritavas e lamuriavas o teu passado.
Foi numa dessas vezes que quase me comovi com a tua conversa e diminui a força com que te esticava os tomates. Mandaste-me com o joelho na boca com tal força que ainda me dói quando penso nisso. Percebi nessa altura que o meu grau de violência só chegava ao que tu querias se eu fosse agredida, tornava-me então cada vez mais violenta.. Afinal tinhas razão.
A partir daí chegavas sempre violento. Gritavas, esbracejavas, provocavas, ofendias. Eras sempre reles e baixo. E eu deixava de sentir a realidade. Odiava-te mais que tudo nesses momentos. Nunca sabia qual seria o caminho, mas o destino era sempre o mesmo. Seres espancado e humilhado enquanto fedia a sexo à tua volta. Ao ver-te aí agora revejo-te nessa mesma posição, adormecido pelo cansaço com a boca na minha pintelheira e o massajador ainda ligado junto às tuas pernas, o mesmo braço a pender da corrente.
Não consigo evitar um sorriso de escárnio.
Sempre foste um falhado que se queria purgar da ausência de pecados. Patético.
Costumavas dizer que te querias ír a vir. Foi cumprido o teu desejo, mas nunca pensei que fosse eu a causadora. Mas tenho que me livrar de ti, agora. Tenho uma marcação daqui a 3 horas e tenho de estar calma. Esse sim, sabe como me levar.
Telefono para o escritório e peço para a “transportadora” vir fazer uma limpeza.
Prendo o walkman à cintura, ponho os phones e saio para um jogging reparador.
Sei que está tudo bem.
Os jornais amanhã vão noticiar luto no Parlamento.
Apesar do recente aumento de vigilância, houve mais um deputado que se suicidou no tanque dos crocodilos durante a noite.


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