De Frente Tudo a granel O que já lá vai Info
A Outra Metade
um momento menos bom (ou mesmo muito mau)
não sei se quero nem se me apetece
vontade não falta, mas o estímulo não aparece
rebuscado ou obtuso incoerente ou sopeiro
não tou nem aí, não é com isto que ganho dinheiro
E se nem vês o que lá está posto
és um caso de visão estreita
Trata disso se faz favor
Primeiro a esquerda depois a direita.
E assim são estas disposições minhas
um pontapé na boca ou um xuto para o ar
bem pode caír onde calhar.
Vou é baixar as mãozinhas
coçar a micose com uma
afagar o pescoço com a outra
e se alguma mão ficar quieta
ainda estica um dedo
e aponta o sentido onde te espeta.
Falha-te o sentido de humor
e tens a disposição do abutre
ou do condor?
ou só te queres rir e assunto sério
deixa-te a dormir?
talvez só queiras uma historieta
para embarcar em conversas da treta
nenhuma opção é melhor do que a outra
desde que uses as mãos os pés ou a boca
Se gostas do que vês e queres interagir
prazer em ter-te cá para rir e discutir
Se és só mais um como verbo de encher
Faz um favor aos dois e permite-me desaparecer

Obrigado

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Tô...: É uma carapuça p'à mesa 4, sff
A rodar...: Killing in the name - RATM

Chuva e sapatos novos.
Este tempo que deixa tudo molhado e escorregadio é um desafio.

Já ao fundo das escadas o pé esquerdo escorrega para o degrau de baixo. O corpo desiquilibra-se para a direita, mas aguenta-se.
Ao apoiar o pé direito, já do lado esquerdo, também este escorrega, já no chão.
O corpo torce-se agora para a direita. Devido à rapidez do movimento os braços tentam manter o equilibrio, mas só fazem com que rode sobre o seu próprio eixo.
De pés trocados e corpo em S, o cu assenta no chão e rola para o lado provocando um pequeno embate do joelho no chão.

"Magoou-se?" pergunta o jovem que acompanhou a coreografia.
"Não, está tudo bem, obrigado." e continuo em passo acelerado. Quanto mais depressa tento andar mais tempo fico no mesmo lugar. É o que dá sapatos novos de sola!
Bastou pisar a calçada para sentir o tronco a ficar para trás, longe dos pés que teimam em seguir um destino próprio. E que queridos que eles são, a escorregarem lado a lado.
Felizmente que há sinais de trânsito que são bons apoios.

Até chegar ao destino, 500 metros mais à frente, ainda dei 3 pontapés em pedras, 2 no lancil do passeio e não consegui fazer a esparregata porque um bloco de cimento travou um dos pés.

Estou com medo de voltar a Lisboa logo à tarde.

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Tô...: sliding
A rodar...: What's Up? (Doc)

Historinhas: na esquadra
Bom... ontem passei a hora de almoço na esquadra para dar parte do telemóvel roubado.
Porque é que passei lá mais de 2 horas?
Porque um general angolano, durante estes tempos de estadia em Lisboa onde veio visitar os seus 8 irmãos, alugou um quarto a uma simpática senhora.
No entanto a senhora tem 2 filhos que fumam liamba constantemente, infestando a casa toda com aquele cheiro sufocante.

Não sendo o cheiro suficientemente penoso, ainda fazem a vida negra ao pobre general.
Dão-lhe pontapés nas pernas, partem o vidro da porta, querem que ele saia de casa, entram pela casa de banho quando ele lá está. Um inferno.

E o senhor, para não ter que apelar aos conhecimentos adquiridos em mais de 30 anos de combate na selva onde matou gente das mais diversas formas, tenta apelar à policia para por um ponto final na situação.
O facto de se ír embora daqui a 3 dias não impediu que apresentasse queixa, sabendo de antemão que não vai dar em nada.

Enquanto isso chegou a Dª Irene, senhora distinta e simpática nos seus 74 anos que, enquanto esperava pela sua vez, estava a levar com o fumo do charuto do sargento, de face bem rosada que passeava entre as escadas e a porta da rua.
A questão da Dª Irene era mais mundana.

Qaundo lhe colocaram o gás natural em casa, não adaptaram o esquentador da casa de banho. Não só por questões de segurança, mas também porque o esquentador "principal" servia bem as funções.
Quando mais tarde recebeu a nota da "Gás de Portugal" em casa a dizer q lhe íam cortar o gás da casa de banho por falta de pagamento e de ficar a saber que tinha de pagar e "mai nada", achou que bem podia por o esquentador na casa de banho (um pequeno áparte só para dizer que não fazia ideia que existem casas com 2 contadores independentes, mas na zona de Anjos/Arroios, com o estado e a idade das casas acho que existe de tudo um pouco).
Ficou com o esquentador da filha, que já não precisava porque tinha comprado um todo moderno e inteligente, mas este tinha demasiada pressão.
"Quando o ligo, leva tudo à frente"
Pediu então ao senhor Manel que lá fosse arranjar aquilo. Arranjou tudo e levou o esquentador para adaptar. Esta adaptação custa 12 contos dos quais pediu logo um adiantamento que recebeu. No dia seguinte estava o esquentador instalado e a funcionar.

Foi em conversa com a filha que descobriu que o esquentador já estava adaptado para gás natural.
Para tentar saber o que se passava achou por bem pedir uma factura do serviço porque com a factura a Lisboagás reembolsava-lhe esse dinheiro (um expediente clássico, mas engraçado na Dª Irene que não gosta de passar por tola).

Foi falar à loja que lhe garantiu que o esquentador não tinha dado entrada, "até porque não tenho peças para esquentadores Philips. A factura deve estar onde fizeram o serviço."
Foi então falar com o senhor Manel que lhe disse que tinha sido arranjado na dita loja e que era lá que estava a factura.
Convocou então os 2, isoladamente, para írem lá a casa à mesma hora para numa espécie de acariação tentar esclarecer a situação.
E o seu problema de momento era ter medo de estar em casa sózinha com 2 vigaristas. Vinha então pedir protecção policial não fosse "o diabo tecê-las". Não é pelo dinheiro, é pela atitude, dizia-me ela convicta de que estava a agir bem.

Dois casos que simplesmente me demonstram que há cada vez menos paciência para determinadas situações e que "pôr a boca no trombone" é uma forma de diminuir as probabilidades das falcatruas voltarem a acontecer.
O general porque não achava bem dar cabo dos filhos de uma senhora simpática que lhe alugou um quarto.
A Dona Irene porque apesar de um médico malcriado lhe ter chamado velha, se mantém muito viva para levar com tentativas de trafulhice de rapazinhos armados em espertalhões.

Um exemplo a seguir. E o general, apesar de não ter marcas visíveis ainda foi ao Instituto Médico Legal porque numa queixa de agressão tem de lá ir para ser examinado. Tenha ou não tenha marcas.

E eu tenho é que ír comer qualquer coisa que o estômago clama por alimento.

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Tô...: hopeful
A rodar...: "Going South" - Wolfgang Press

Historinhas: Tattoo


A Ana era amiga de família, não se sabia muito bem por quê ou por quem e andava desaparecida há muito tempo.
Chegou com um ar diabolicamente carnal e apelativo.
No primeiro dia passeámos por Monsanto e pelas lojas da moda alternativa que lá se estabeleceram. Voltou a estar lá o Bar do Batista e o lago dos patos estava cheio e colorido. No entanto não havia mais ninguém e não precisávamos. A cumplicidade entre nós declarou-se rapidamente.
No dia seguinte o desejo foi mais forte e, mesmo sendo uma saída de família, num descuido à porta da "Pedra Dura" entrámos os dois para a casa de banho.
A senhora que ía a saír não estranhou. Parei na máquina para tentar comprar umas protecções porque nestes dias todo o cuidado é pouco. A máquina estava avariada porque tinha lá dentro moedas de todos os feitios, tamanhos e idades. Embalagens não havia nenhuma.
Puxou-me pela mão e entrei atrás daquelas rendas que não tapavam a pele lustrosa.
Em vez da casa de banho fomos dar a um pátio interior em calçada. Verde e luxuriante.
Num varandim em bambu estavam homens de bigode fino e ar latino-americano a preparar embalagens de coca para exportação.
Empunhavam AK-47 a tiracolo e pareciam despreocupados. Quando nos viram pareceram surpresos, mas não agressivos. Pelo contrário, rejubilaram pelo divertimento que anteviam.
Não gostei quando ela começou a trepar para subir ao varandim e optei por tentar voltar para trás.
O sítio por onde entrámos já não estava lá e eu estava nu.
Para evitarem que eu me fosse embora os homens desceram do varandim empunhando pistolas de tatuagem.
Enquanto fugia dali o resto da minha familia apareceu do outro lado do pátio a chamar por mim. Ainda me viram, estupefactos, a tentar escapar todo nú pelo meio dos arbustos.

Quando os traficantes me apanharam, tatuavam-me riscos desconexos pelo corpo enquanto me amarravam a uma cadeira. à minha volta, cada um tinha uma pistola tatuadora de cor diferente.
"Não te preocupes", disse mordaz um deles com pinta de Bobby Peru* no "Wild at Heart", "quando acabarmos não vai haver vestígio destes riscos."



Freud também explica?



*Bobby Peru

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Tô...: I'm not a writer
A rodar...: Tattoo - Tricky (Nearly God)

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