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Ao contrário da 'vida real' (faça-se a distinção para definir as vivências dentro e fora da internet), a vida na internet pode assumir as faces que cada um lhe quiser dar. O simples facto de não haver contacto visual é o suficiente para estar muito mais à vontade e poder dizer ou fazer coisas que de outra forma não se fariam. As acções passam a ser de um alguém e não de uma pessoa. E este é o pau de dois bicos da internet. Posso usar esse anonimato para ser 'mais eu' e exprimir as minhas opiniões mais pessoais sem risco de ser censurado (ou mesmo que o seja, é por alguém que não me conhece, não me diz nada, não me aponta o dedo) ou posso criar um alter-ego e criar um personagem que difere radicalmente da minha maneira de ser. O papel que cada um se propõe a desempenhar depende das motivações individuais e podem ter uma infinidade de motivos. Já ando na internet há uns anos o que me permite tirar algumas conclusões baseadas, claro, naquilo que tenho assistido mais ou menos de perto. A primeira noção tem a ver com a idade. As primeiras experiencias com o mIRC, a multiplicidade de usernames, o 'abardinanço' completo. Rapidamente o mIRC cai na monotonia, não surgem temas de debate, as conversas (?!) rondam sempre o mesmo. A migração normalmente é para foruns temáticos onde se podem aí sim desenvolver tópicos de conversa e consoante as páginas terem mais ou menos interesse. É onde se fazem os contactos para o passo seguinte que é o AOL, ICQ, Messenger e afins. Programas de conversação online onde, depois de identificar utilizadores com interesses comuns, se podem desenvolver diálogos mais pessoais. É o princípio do fim do anonimato. Vejamos a evolução positiva: em grande parte dos casos, e já com uma idade diferente e pensamento mais selectivo, a chegada ao messenger (como exemplo) começa a deixar caír umas quantas defesas no que se refere à presença na internet. Deixa de ser apenas um username e passa a ser uma pessoa que já pode inclusivamente ser vista e ouvida (no entanto, em momento algum deixou de ser uma pessoa a estar por detrás de um username). O carácter privado das conversas e a segurança do não-contacto físico pode levar a grandes debates e trocas de opinião, sinceras, podendo criar laços afectivos e de amizade bastante fortes, eventual e aparentemente mais sólidos que nas amizades convencionais. Digo aparentemente porque se tudo corre bem no mundo virtual também é porque o lado negativo está de fora. A 'necessidade' de estabelecer boas relações não deixa espaço a que os problemas do dia-a-dia, as embirrações, o mau-feitio, todos os aspectos negativos da personalidade individual transpassem para quem nos lê. Tudo é bom e bonito. Ao assentar a 'personalidade' apenas em frases dá a segurança de se poder escrever com a mão direita que tudo corre sobre rodas enquanto com a esquerda se enxugam as lágrimas. Ou louvar desmesuradamente uma imagem enquanto se fecha a janela rapidamente para não ferir mais os olhos ao olhar para ela. Cada um apenas mostra o que quer e como quer. Em muitos casos, a cumplicidade a nível virtual é tanta que se faz a passagem para o 'mundo real'. Começam aqui então as grandes surpresas. É mais bonito, é mais feio, a expressão não condiz com as palavras, afinal é irritante, que querido é tão fofinh@, tão timido, que bandido, tantas e tantas surpresas boas e más que se descobrem ao comparar o indivíduo real com a imagem que criámos para nós dessa mesma pessoa. A partir deste momento a relação entre eles passa a seguir os moldes 'normais' com a diferença de que teve início na internet. Isso pode dar bases muito mais fortes para o conhecimento mutuo ou muito pelo contrário. Até aí era um conhecimento incompleto e só no cara-a-cara é que se dá o grande passo para uma possivel Amizade plena. Mas há também evoluções negativas. Muitos contactos são estabelecidos e desenvolvidos em situação desigual. Um dos lados está nitidamente a brincar enquanto o outro se comporta normalmente. São inúmeros os casos de alguém que foi gozado, achincalhado e mesmo usado. Eles passam-se por elas (e vice-versa), utilização abusiva de fotos e textos de outros apropriados indevidamente e creditados ao próprio, divulgação de conteúdos que seriam privados, propagação de boatos mais ou menos prejudiciais, há milhares de utilizações e de comportamentos negativos na internet, tal como 'lá fora'. Neste aspecto a internet tem um aspecto muito importante. Tudo o que é feito fica registado: tudo fica registado em suporte 'físico' (mesmo sendo virtual pode passar para disquete, cd, dvd) passível de vir a ser utilizado mais tarde. Um aconversa no messenger pode ficar registada em ficheiro. Uma imagem colocada numa página pode ser tirada para o computador de qq pessoa. Com a proliferação de hackers e sem as defesas adequadas (anti-virus, firewall...) todo o nosso computador pode ser vasculhado por estranhos. Qualquer busca simples na internet é o suficiente para deparar com casos de meninas (elas mais sujeitas a este tipo de acção) que inocentemente se mostraram através de webcam sem saberem que estavam a ser gravadas do outro lado e que ao fim de 1 hora estavam a fazer o download desse filme no Benim (num dos 2 computadores que deve haver lá). Quando se começa a ver, numa perspectiva global e generalista, a internet não difere em nada da realidade offline. Está superpovoada de gente de má fé, má formação, abusadora e oportunista que não perde um segundo para dar uma facada nas costas à primeira oportunidade. A concorrência profissional também pode ser assim. A inveja não vem só de quem nos conhece, mas de qualquer um que lide connosco. Quem se congratula a destruir a vida dos outros está em todo lado e se no dia-a-dia tomamos medidas preventivas contra esta ou aquela pessoa, a mesma coisa deve ser feita aqui. Mais ainda porque se no dia-a-dia estamos limitados ao contacto com as pessoas do nosso prédio, rua, cidade, país, na internet podemos lidar com todo o mundo, uns biliões largos de indivíduos, cada um com a sua mania, nunca sabemos o que daí podemos esperar. Dizem-me por vezes 'ninguem vai ver a minha página, não tem lá nada, é pequenina, ponho só as minhas coisinhas'. Qualquer um pode lá ír dar através de buscas aleatórias e depois só ele é que se lembra do que poderá fazer. Quanto maior a publicidade maior o numero de leitores e maior será também o risco de sermos vítimas de má-fé. Se há uns anos as nossas opiniões andavam dispersas por várias páginas, foruns e locais variados, com o aparecimento dos blogs há uma centralização da informação referente ao seu criador. Por muito 'neutral' que sejam os seus textos, o que escreve é reflexo da sua personalidade, do seu dia-a-dia, das suas vivências (salvo casos metodicamente pensados para que assim não seja), do seu 'eu'. Qualquer indivíduo mal intencionado tem aí uma fonte de informação que lhe pode facilitar o trabalho se se propuser a infernizar a vida de alguém. Só para exemplo, recentemente um homem foi despedido porque disse mal do emprego no seu blog e teve o azar das chefias terem lido (desconheço a nacionalidade, mas foi notícia de jornal). Como em tudo, as pessoas pensam sempre que só acontece aos outros e que estão livres desse tipo de situações. Esses problemas surgem com maior visibilidade quando a esfera virtual choca com outras esferas, seja a pessoal ou a profissional. A única forma de evitar isto é não assumir posições/acções que possam promover esse choque. Se estamos a tornar algo público, temos que ter a certeza que se isso chegar a qualquer pessoa não irá colocar em risco seja o que for na nossa vida. Já lá vai o tempo da confiança e da ingenuidade. Se queremos colocar alguma coisa que nos pode dar problemas das duas uma: ou limitamos o acesso de forma a impedir que se divulgue (o que não passa de uma fachada porque nada é estanque e a internet muito menos) ou assume-se um alterego que não estabeleça relações connosco enquanto individuo pessoal ou profissional. Com isso não estamos criar um boneco falso, podemos ser nós próprios na mesma, simplesmente sem nome, sem localidade, sem profissão, sem numero de contribuinte ou segurança social. Passamos a ser outra vez um alguém e não 'aquela' pessoa. Tudo o que é colocado publico deve ter em conta quem serão as pessoas que irão ver essas entradas. Se criar um site de cariz sexual (tema que ocupa 90% da internet) é inevitável que vá ser lido também por uns quantos pervertidos, tarados e desocupados, como tal não terei qualquer interesse em disponibilizar, aí ou em qualquer local acessível, dados pessoais ou seja o que for que me identifique na minha vida pessoal. A menos que seja essa a intenção, esse comportamento só potencia a que um dia tenha alguém à minha espera à porta, o mail inundado de lixo ou frequentes telefonemas obscenos. O seccionamento e limitação da informação a um tema específico não faz de mim outra pessoa, só previne o abuso e salvaguarda a minha individualidade. Teoricamente somos todos responsáveis pelas nossas acções e assumimos os nossos actos. É assim no mundo civilizado. Mas temos que ter consciencia que nem todos têm a mesma abertura de espírito que nós e nem todos têm os mesmos princípios morais que defendemos (embora às vezes os defendam de forma veemente). Os boatos surgem e propagam-se a alta velocidade e são tanto mais credíveis quanto a capacidade de argumentação de quem os promove e da ingenuidade da audiência que os ouve. O boato é o terrorismo surdo, a arma dos ignóbeis e mesquinhos e assenta na boa-fé e inocência de quem ouve. Valem o que valem que é nada. Mas podem provocar estragos devastadores. Normalmente sou bastante tolerante nas minhas relações pois cada um é como é e as atitudes que tem para um não tem que ter para outro. A relação de A com B não tem que interferir na relação de B com C. Depende sempre dos factores únicos e intrínsecos ao convívio entre 2 pessoas. Conto pelos dedos de uma mão as pessoas com quem tive que cortar relações de forma definitiva, mas quando isso acontece é sempre com base em comportamentos que considero intoleráveis e que não deixam margem para dúvidas. Em caso de dúvida mantenho o pé atrás e reduzo a confiança até prova em contrário. Felizmente já começa a haver legislação que nos salvaguarde deste tipo de casos. Abuso de confiança, propagação de boatos, invasão de privacidade, mas dado o estado da justiça a melhor segurança é a prevenção mesmo porque depois do mal feito, por muito bem que funcione a justiça, a vergonha, o embaraço e os problemas já foram causados e isso já ninguém nos tira de cima com todas as consequências que isso pode acarretar. As relações humanas são sempre uma matéria dificil com enorme componente afectiva e subjectiva. Se no dia-a-dia já são dificeis de equilibrar, com a internet torna-se ainda mais dificil porque este é um instrumento que potencia a falsidade e abre caminho à mesquinhez se for utilizada nesse sentido, mas também pode ser uma fonte de boas surpresas e momentos incomparáveis. Depende sempre da forma como é utilizada por nós e pelos outros. Se com a nossa utilização sabemos como lidar, só temos de garantir que não pode ser indevidamente utilizada pelos outros. Tags: entre vistas
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Quando se tem o primeiro filho, ninguém está preparado para ser pai (ou mãe, mas vou falar no masculino). Podem tocar relógios biológicos, pode-se lidar com os sobrinhos, primos, amigos, mas quando nos toca a nós termos que velar pela criancinha 24 horas por dia e deparar com situações novas quase de hora a hora, não há preparação prévia que aguente o embate. Quando achamos que já está tudo mais ou menos controlado, o ritmo já está estável, há sempre uma novidade, boa ou má, para nos deixar com o coração nas mãos ou aos pés. É inevitável que deixemos de ter tempo para nós e que a vida passe a girar em torno deles e isto não vai ser temporário. A partir do momento em que nascem, simplesmente nunca mais nos deixamos de preocupar ou pelo menos de ter a presença deles constantemente na cabeça. No entanto isso não é sinal de que a nossa vida acabou tal como era. Bom.... na verdade acabou mesmo tal como era, mas não significa que deixemos de fazer na mesma tudo aquilo que fazíamos enquanto solteiros e descomprometidos, simplesmente o ritmo é outro. Muito, muito mais baixo o qu ede certa forma até nos faz valorizar mais esses momentos e 'curti-los' mais intensamente. As saídas à noite, o cinema, as noites com os amigos passam a ser o balão de oxigénio que precisamos para poder respirar mais à vontade. Acabar de vez com esses prazeres pessoais é o princípio para as depressões pós-parto, os casamentos insatisfeitos e as quezílias matrimoniais que com frequência terminam em divórcios. E a instabilidade do casal é o princípio para a instabilidade emocional da criancinha que começa a chorar e a fazer birras que dão cabo da cabeça aos pais que por sua vez deixam de ter paciência para as crianças que se sentem menos apoiadas aumentando o número de birras e gerando um círculo vicioso sem saída. Se com a vida conjugal já tivemos que aprender a fazer cedências, as cadências agora são ainda maiores. No tempo, no sono, no trabalho, na paciência, no espaço, na privacidade. Há de facto criancinhas insuportáveis e há características que lhes são inatas ou herdadas, mas cada vez mais sou da opinião que isso depende uns 95% da educação que recebe, do amor, do carinho, da atenção que lhe é dispensada. Ao conviver com crianças aqui à volta, por força da vontade da criancinha que não tendo irmãos precisa de brincar com outros da idade dela, tenho notado que quase todas sentem uma imensa falta de carinho. Trabalhar por turnos ou até altas horas, ter horários desencontrados, saídas prolongadas para fora são dificeis de conciliar, mas não pode impedir que se passe tempo diário (ou no caso de ausencias prolongadas, o máximo possível) com a atenção exclusivamente focada na criança. Falar com eles, explicar-lhes as coisas, deixá-los experimentar. Deixá-los fazer tudo o que querem não é a solução, os filhos precisam de sentir firmeza nos educadores. Não é rispidez, frieza e absolutismo, é saber dizer 'Não' quando é preciso e explicar porquê. A explicação é fundamental. No processo de crescimento o 'não porque não' não é nada. Tudo tem uma explicação e convém que seja válida e que não seja contrariada no minuto a seguir. É com os filhos que passamos a ter que evitar o clássico 'faz o que eu digo, não faças o que eu faço'. Como disse antes, ninguém está preparado para ser pai pela primeira vez, mas hoje em dia já há muita ajuda. Nem falo dos acessórios que já são descartáveis, transportáveis e com soluções para todos os problemas, mas mesmo a nível educacional. Os conselhos das mães e sogras podem ser muito úteis, mas muitos deles estão ultrapassados, já se sabe que o melhor não é assim mas assado, ou então não, às vezes elas têm mesmo razão e antes é que se sabia como devia ser. De qualquer forma nem sempre ao mar snem sempre à terra. Na pediatria há diferentes correntes que por vezes se contrariam e que nos deixam desorientados se começamos a ouvir muitas opiniões. Opiniões diversificadas então é o que não falta quando se fala com a vizinha no café, a outra mãe na sala de espera, a senhora que está sentada no banco a ver o filho brincar, a prima, a tia, a sobrinha, a namorada do irmão. Todos têm uma opinião seguramente garantida de qual a melhor forma de lidar com determinada situação (e aqui mais uma vez é posta à prova a paciência). Falando por mim, uma das coisas que muito nos ajudou (confesso que a leitura foi feita integralmente por ela e eu lia apenas algumas partes) foram os livros de T. Berry Brazelton, conceituado pediatra norte-americano equivalente no início do séc. XXI ao Dr. Benjamin Spock, sobre a primeira infância. A primeira reacção é de que um livro não nos vai ensinar nada de especial, nada de novo, mas a verdade é que tudo o que pudermos aprender será novo. E mesmo que não seja novo trará à lembrança uma série de conhecimentos que apesar de os sabermos interiormente, só nos apercebemos disso quando no-los dizem ou quando os lemos, preto no branco. A necessidade de rotinas, o que é a estabilidade, porque é que devem comer com as mãos, quando largar a chupeta, pequenos sinais a que devemos estar atentos, o que incentivar ou não dar atenção e muitas outras 'dicas' que apontam para as soluções que os pais têm que descortinar podem ser desde logo pensadas ao ler os livros dele (e outros provavelmente). Se por ventura não os lemos na altura devida e vamos ler mais tarde, é garantido que levamos a mão à cabeça e pensamos que se tivessemos feito X em vez de Y possivelmente agora não tinhamos que aturar Z. Não são muitos aqui, aqueles a quem estas palavras possam interessar e muito menos aqueles que hão-de chegar ao fim deste texto. Quem for pai (ou mãe, claro) em breve conte que vai ouvir milhares de opiniões sobre o que será melhor para o vosso filho. Ouçam todas, mas saibam filtrar o que não interessa e é muito o que não interessa. Para conseguirem fazer isso informem-se, pensem, seleccionem, estejam atentos. A educação que vocês derem é a educação com que irão lidar. Ninguém diz que é fácil, mas também ninguém diz que há algo melhor do que educar e ver os nossos filhos a crescerem. Ainda falava mais sobre isto, mas já se alongou mais do que o devido. Dêem-lhes espaço. Tags: entre vistas
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A serie que começa agora e que se prolonga por tempo e periodicidade indefinida baseia-se em pequenas dissertações sobre um tema específico. A ideia base é ser como que uma resposta à pergunta 'e o que pensas sobre... ?' Como o tempo nos faz ír mudando de opinião e de perspectivas (é isso a evolução, dizem), reflecte um ponto de vista assumido num dado momento, estando longe de ser imutável. Tanto pode durar vários anos como apenas alguns comentários, no entanto, de acordo com os parâmetros do LJ, os comentarios devem ser escassos como tal não me parece que mude de opinião a essa velocidade. O primeiro tema é a morte. Não tem qualquer aspecto mórbido nem ando obcecado nem coisa nenhuma, acho mesmo que não é dos melhores temas para começar, mas foi assunto que este fim de semana foi recorrente. Por coincidencia hoje até é dia de luto nacional. e o que pensas sobre a tua morte?É inevitável não é? Nunca foi coisa com a qual ficasse muito tempo a pensar. Acho que o máximo de tempo em que me dediquei ao tema da morte foi quando andava a ler Woody Allen e havia umas peças de teatro em que ela entrava. No entanto, depois de ser pai já a encaro de forma diferente, não tão hilariante. Não na questão de ter medo da morte, mas sim no facto de poder morrer a qualquer momento sem deixar a minha filha preparada, crescida, independente e autónoma. O problema não é a minha morte propriamente dita, mas a minha ausência em relação aos que cá deixo. Não temo por mim mas por ela. É uma das novas dimensões da paternidade. Também não sou dado a histórias de reencarnação apesar de ser mais confortável achar que depois vem algo mais. Não o Paraíso ou o Inferno no sentido bíblico. Pode ser mesmo voltar a viver aqui ou noutro planeta ou universo. Como animal, como planta ou ameba. Gosto de o ver um pouco como um jogo de computador. Acaba um nível e vem lá outro. Não sei se é muito diferente ou um eterno retono. O que importa é passar este nível com a melhor pontuação, pode ser que seja util no nível a seguir. O pior que pode acontecer é ser 'Game Over' em vez de 'You Reached a New Level'. Aí então acabou e já não há mais, mas também já não há motivo para pensar nisso (nem forma). De qualquer forma, 'não vá o diabo tecê-las' mais vale prevenir e guardar uns créditos para o que vier. É curioso ver como à medida que as pessoas vão envelhecendo vão sendo mais assíduas em velórios e funerais. Tenho 3 teorias para isso: a) Os contemporâneos vão morrendo também logo, é normal que à medida que a idade avance haja cada vez mais conhecidos a morrerem, no entanto as idas às cerimónias funebres deixam de ser apenas a amigos e familiares e passam a ser também de conhecidos ou familiares de amigos. Aumenta o leque. b) Como estão mais perto da morte e um funeral sem ninguém a acompanhá-lo é altamente deprimente (mais que o normal) ír aos dos amigos é um pouco como tentar garantir que o nosso próprio velório será participado, sinal de boa pessoa, companheiro, que deixou uma marca importante na vida dos outros que o querem honrar na última viagem. c) Ao acompanhar os que já partiram, dá-se mais valor à vida que ainda temos. Sim, se é para morrer, mal por mal antes os outros que eu (isto grosso modo, não faltam casos de pesoas que dariam a vida para trocar de lugar com quem já se foi, eu mesmo poderia ver-me nuam situação dessas). É quase como quem diz "eu sobrevivo", é um marcar de posição, uma batalha que se vence à morte. Diariamente a morte anda na rua e cada dia que passamos vivos é uma derrota infligida à mulher da foice. Sabe-se que ela vai ganhar a guerra, mas cada batalha vencida é uma vitória. As vitórias que conseguimos no dia a dia e isso sim, é o que me preocupa, o conseguir viver. E para terminar com lugar comum: Viver não custa, o que custa é saber viver e esse é o meu esforço. Vamos à vida que a morte é certa (afinal termino com 2 lugares-comum). Tags: entre vistas A rodar...: Knock on Wood
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